O administrador de empresas Michel Goldfarb Costa, 34 anos, suspeito de ter provocado uma série de acidentes em São Paulo na segunda-feira (9), deixou o 26º Distrito Policial, no Sacomã, na noite de quarta (11) e foi para o 77º Distrito Policial, em Santa Cecília, onde passa a noite. Antes, ele foi levado a um pronto-socorro para tratar dos ferimentos pelo corpo e depois foi submetido a exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML). O administrador, que se entregou por volta das 20h15, chegou à delegacia em companhia de seu advogado e da namorada. Ele deve ser interrogado nesta quinta (12) pela manhã. Testemunhas também serão chamadas para fazer o reconhecimento.
Quando saiu da delegacia, Michel resistiu a entrar no porta-malas da viatura da polícia. "Quero deixar meu testamento. Peço para não morrer. Eu só quero viver", disse. Em seguida, ele se ajoelhou e pediu a um investigador para que o mantivesse vivo. Ele foi levado, então, no banco de trás do carro. O administrador afirmou que não tentou matar ninguém e que os tiros foram disparados na direção das maçanetas dos veículos. "Estava em fuga e pedia para as pessoas saírem do carro. Eu falava: 'sai, sai'. E elas não saíam. Eu atirava na fechadura para abrir o carro", afirmou.
Segundo as investigações, ele bateu em pelo menos dois carros e um ônibus, baleou um homem na barriga e feriu outro de raspão. Michel afirmou que saiu de casa após seus cães latirem e ele pensar que haviam invadido sua casa. "Eu desci para pegar minhas coisas, para bater em fuga, para preservar minha vida. Nesse momento, fui pegar minha carteira, meu celular e eles tinham desaparecido. Só estavam lá a chave e o controle da garagem." Ele contou que já estava com a arma na cintura e o colete à prova de balas.
O administrador, que chegou de sandálias, bermuda e vários ferimentos pelo corpo, contou que já haviam jogado pedras em sua casa. E afirmou que por conhecer bem seus cachorros sabia que algo de errado estava contecendo. Ele disse que achava que estava sendo seguido por vizinhos. "Não estou imputando a eles a culpa. Eu não vi ninguém, ouvi só o barulho e os cães latindo", disse.

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