Um ano depois das chuvas que mataram mais de 900 pessoas na região serrana fluminense, somente oito obras para sanar o problema das mais de 170 áreas de alto risco de deslizamento de encostas começaram. Nenhuma foi concluída até o momento, segundo o 3º Relatório de Inspeção à Região Serrana, divulgado nesta quarta-feira (11) pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ).
As ações das autoridades teriam se limitado ao atendimento às famílias afetadas, e muito pouco foi feito para recuperar as áreas atingidas pelo temporal. O assessor de Meio Ambiente do Crea, Adacto Ottoni, afirmou que basta que metade da chuva do ano passado caia em 2012 para que haja nova tragédia.
“Os pontos críticos que sofreram as feridas continuam totalmente fragilizados e estão gerando grande aporte de sedimentos para a drenagem e para os rios, o que pode agravar mais as inundações e o transbordamento”, explicou Adacto, que apontou a burocracia e a morosidade Poder Público como principais fatores para o atraso do início das obras – menos de 10% do que estava previsto para o ano passado foi iniciado.
“Tivemos seis meses de estiagem para atacar essas feridas e quase nada foi feito. Por isso, propomos que sejam feitas as intervenções e um projeto agora e, assim, começar as construções na estiagem deste ano para que, no verão do ano que vem, a bacia esteja preparada, pois hoje ela está fragilizada e a área pode voltar a ter nova tragédia”, disse Adacto.
O presidente do Crea-RJ, Agostinho Guerreiro, lembrou que, em agosto passado, quando foi concluído o segundo relatório, o panorama era praticamento o mesmo encontrado na última visita, na semana passada. Ele criticou a falta de respeito ao planejamento por parte dos governos brasileiros e citou o exemplo do Japão, que, em seis meses, conseguiu restaurar a maior parte das regiões afetadas pelo tsunami em março passado. Na visita aos locais afetados pelas chuvas do ano passado, os técnicos do Crea-RJ constataram que persiste o processo de ocupação desordenada, sobretudo para atividades agrícolas, desmatamento de áreas de preservação permanente e reocupação das áreas de risco, com a construção de casas.
Dentre as orientações imediatas, o relatório propõe a criação e a implementação de um planejamento para remoção da população ao longo do tempo com prioridade para as áreas de risco, implantar pequenas e médias barragens de cheias, intervenções nas encostas, saneamento efetivo de esgotos e lixo na bacia drenante, entre outras recomendações.

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