Levantamento do Programa DST Aids, da Secretaria Municipal de Saúde, revela que o número de contaminação pelo vírus HIV entre gays e transexuais diminuiu em Juiz de Fora. A cidade está na contramão de dados apresentados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O órgão internacional acaba de divulgar um guia global para orientar autoridades de saúde e médicos sobre a prevenção e o tratamento de aids entre homossexuais e transexuais. O motivo é o aumento de casos da doença entre homens que fazem sexo com homens (HSH), principalmente em países desenvolvidos. Na América Latina, estima-se que metade dos casos da doença ocorreu por causa da relação desprotegida entre homens.
Segundo o coordenador do programa DST Aids, Rodrigo Almeida, em 2009, do total de homens (homossexuais e heterossexuais) contaminados pelo vírus HIV no município, metade (50%) pertencia ao grupo HSH. No ano passado, do total de homens infectados, 35,48% eram HSH. “Entre todos os homens que passam por testes, a minoria é HSH: 12,5% em 2009 e 12,2% em 2010. Apesar de pequeno, o grupo de homens que fazem sexo com homens apresentava alto índice de infecção. Mas esta realidade está mudando, graças aos trabalhos de conscientização e prevenção que o Programa DST Aids vem realizando ao longo dos anos”, explica Rodrigo, lembrando que os números são do Centro de Testagem do DST Aids e referem-se apenas aos casos de Juiz de Fora.
Atualmente, cerca de 900 pessoas recebem acompanhamento do Programa DST Aids, fazendo uso do coquetel de remédios. Vale ressaltar que Juiz de fora é polo regional de atendimento ao HIV/Aids, referência para mais de 110 municípios da região. Segundo o guia da OMS, os homens que fazem sexo com homens têm 20 vezes mais risco de serem infectados pelo vírus HIV em comparação com o restante da população. Para a OMS, esses grupos de pessoas têm dificuldade de pegar um preservativo ou tomar um antirretroviral por sofrerem discriminação e estigma.
Os números referentes a 2011 não foram divulgados porque ainda há casos em investigação. Os dados são informados apenas no final do ano, a fim de não mascarar as estatísticas, segundo Rodrigo. O coordenador do DST Aids adianta, porém, que os índices do Sinan também seguem tendência de redução dos casos de aids entre homossexuais.


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