Karla Silva
Mais de R$ 138 milhões em impostos já foram pagos pelo juiz-forano este ano. Por dia, a arrecadação chega a R$ 575 mil. O número pode ser conferido no site da Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora (ACEJF), que disponibilizou o impostômetro para consulta pela população. O dispositivo mede a arrecadação tributária na cidade.
Segundo o presidente da ACEJF, Aloísio Vasconcelos, o objetivo é instalar um painel na Praça da Estação, em, no máximo, 60 dias, a exemplo do impostômetro da Associação Comercial de São Paulo.
— O impostômetro é um mecanismo muito oportuno, principalmente no momento das eleições. Ele serve para que a população tenha consciência da quantidade de impostos que se arrecada para cobrar dos políticos a conversão desses mesmos valores em serviços para a comunidade, como saúde, educação e segurança — ressaltou.
Segundo Vasconcelos, outra meta da associação comercial é fazer com que a alíquota do imposto embutido nos produtos seja impressa nas embalagens. — Há cada distorção inexplicável. Cerca de 35% de impostos incidem sobre medicamentos para pessoas, enquanto que alguns medicamentos para uso veterinário são até isentos de tarifação. Outro exemplo é a cesta básica, que é toda tributada e com impostos altíssimos. O imposto é imprescindível, mas há que se fazer uma revisão na carga tributária, para beneficiar a população mais carente.
O impostômetro foi implantado por meio de parceria com a Associação Comercial de São Paulo, o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário e o Grupo E-mídia.
— A parceria foi fechada durante convenção das associações comerciais do Brasil, em Porto Alegre, há cerca de dois meses. Com isso, Juiz de Fora passa ser a primeira cidade do interior do país a ter o impostômetro — afirmou o presidente da ACEJF.
Concorrência
Segundo o gerente comercial da Superfreios, Luiz Fernando de Souza Reis, a tarifação de Minas Gerais chega a prejudicar transações.
— O Estado de Minas é bastante arrecadador e, em função destas regras, a gente sofre muita concorrência de empresas de municípios próximos, porém situados nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, sobre os quais não incidem tantos impostos — enfatizou Reis.
Segundo ele, o setor de autopeças é um dos que mais sofrem com a tarifação, uma vez que os produtos passam pela "substituição tributária". Assim como ele, outros setores são tributados da mesma forma, como as óticas e os setores de tintas, ferragens, material de construção e medicamentos.
— Quando eu compro uma mercadoria fora do estado, tenho que pagar o imposto antes de revender a mercadoria, ou seja, pago na compra e não na venda, o que pode demorar um dia ou um ano.
De acordo com o comerciante, a dica para sobreviver em um mercado tão adverso seria "uma administração bem pautada e muita criatividade".


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